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Quem é a Hillary na fila do pão?

9 nov

Por Juliana Viani**

hilary

Quando começou a campanha eleitoral dos EUA, em agosto de 2015, existiam vários pré candidatos. Existiam diversos no lado republicano, dois no lado democrata outros tantos independentes. E por interesse acompanho o processo a mais de um ano.

Os vermelhos, cor que representa a extrema direita de lá, apesar das muitas opções, eles estavam entre o ultra conservador religioso e o empresário que falava em gestão e não em política, que destila um discurso de ódio muito semelhante ao dos seus concorrentes de partido, mas muito mais intenso e descarado. Um discurso que é muito atraente, uma pessoa “sem rabo preso com ninguém” e que retira dos seus eleitores o peso da situação do país e joga a culpa de tudo que não deu certo em minorias.

Trump a cada momento atacava uma minoria diferente. Dos atacados, mexicanos e todos os latinos, negras e negros, muçulmanos, migrantes, mulheres foram os alvos favoritos. A campanha foi baseada em calotes a trabalhadores e financiada por sua fortuna obtida com a exploração de trabalhadores ilegais. E se não bastasse as falas e práticas agressivas, casos de estupro e pedofilia cometidos por ele vieram a tona. Um histórico de comportamentos inaceitáveis e ainda aquela historia de muro.

Do outro lado, o azul, existia a disputa entre o senador Sanders que falava em “sus” e regulação do preço dos remédios, universidade publica gratuita e de qualidade, aluguel social, legalização da maconha e outras drogas, direitos das mulheres, aumento da licença maternidade de 2 semanas para 4 meses e legalização do aborto, combate ao racismo e desmilitarização da polícia, politicas para a juventude precarizada, aumento do salario mínimo, direitos do povo palestino (e ele é judeu), auxílio a refugiados e comida orgânica. Particularmente, aquele vovô socialista tentando subverter a eleição era pra mim um Plínio americano.

Do outro lado da disputa democrata tinha uma candidata que é extremamente forte, uma mulher que enfrentou muito sofrimento e abusos no casamento e um machismo institucional muito intenso. Apesar dela ser uma mulher batalhadora, dela ter enfrentado tanta coisa e ser sim digna de respeito e admiração, a agenda política dela é uma agenda de precarização da vida, principalmente das mulheres, negros e negras, juventude e população periférica.

Essa candidata recebeu financiamento de campanha dos planos de saúde, das industrias farmacêuticas, dos fabricantes de armas, das lideranças pró guerra na palestina, de frigoríficos, Walmart, Monsanto, de cadeias privadas, afilhada de wall street recebeu milhões de investidores e das maiores poluidoras do mundo. Em resumo, quem financiou a campanha de Trump, financiou Hillary.

Resultado? Falava que é impossível aumentar salário mínimo, que estudante não paga a faculdade porque não trabalha o suficiente, que Monsanto não é tão ruim, que a saúde é muito difícil deixar universal, que vai deixar o mercado mais independente e que o estado não pode impedir que remédios aumentem o preço 400% de um mês pro outro, nenhuma palavra sobre meio ambiente. A narrativa da campanha antes da tentativa de capitalizar os votos de Bernie era uma, após outra mais bonita, mas com mesmo viés.

Com uma carreira política bem complexa, enquanto o Bernie tem um passado de luta bem extenso e coerente, ela até pouquíssimo tempo atrás votava contra casamento igualitário, adotou politicas de perseguição a juventude negra que aumentaram as taxas de violência policial contribuindo no aumento da população negra encarcerada, ajudou a intensificar guerra contra as drogas, participou ativamente no processo politico que culminou no ISIS, adora uma guerra e votava com regularidade para começar e continuar mais guerras. É figurinha carimbada no WikiLeaks. E os emails é só mais uma historinha. Ruim mesmo foram as fraudes que ajudaram ela a se tornar a candidata oficial.

Questionar a trajetória da candidata virou tabu, erro de análise e, pior, é pecado. Não entendo essa esquerda que vibra pela Hillary, a situação não tava fácil e entre as duas opções fico com nenhuma. Tanto Trump quanto ela são candidatos de direita. Essa ilusão de que existia alguém melhor ou menos pior só serve aos interesses do partido democrata, que não é de esquerda. A batalha para impedir que um socialista chegasse ao poder rendeu na vitória do Trump.

Candidatas mulheres existiram várias, tanto republicanas, quanto democratas e independentes (são de partidos fora do sistema bipartidário, nem democrata nem republicano). Mas vamos conhecer, debater, dar espaço e mídia para mulheres como Jill Stein, socialista de luta, feminista, antiproibicionista, envolvida com os movimentos sociais, com uma campanha militante silenciada pela mídia oligárquica e que nas pesquisas fazia 5% de intenção de voto.

Nessas eleições americanas não havia possibilidade de comemoração, apenas de muita luta daqui pra frente. Muito respeito a Hillary, mas não a sua agenda.

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