Imaturidade

28 out

Por Lucas Lipka Pedron* e Rafael Athayde**

Os fascistas abrem suas asas. Espalham o medo e o ódio, cobrindo com as trevas da violência o sol da liberdade que tenta reerguer-se no horizonte. Matam e bradam, os ludistas, palavras de ordem cheias de ódio, quebrando portões, janelas, as portas das escolas que juram tão hipocritamente defender. Estes reacionários se multiplicam, se alimentam do sofrimento e da barbárie, repetindo em suas poucas vozes a podridão de palavras torpes, fermentadas no borbulhar das profundezas dos intestinos de governantes autoritários. Estes covardes canalhas, com seus embustes e seus tacapes, estufam o peito galinácio, ostentando suas fragilidades irracionais. Mas brava e brandamente os jovens secundaristas envergam o arco e tiram do alforje a verdadeira flecha da democracia, e matam as esperanças fúteis desses crápulas sorrateiros e mesquinhos.O medo paralisante desfalece em cinzas, e a alegria renasce a cada dia para nos lembrar que devemos lutar, mas TEMER JAMAIS.

Os fascistas criminalizam a política, como se fosse crime ser humano, como se fosse um crime ser cidadão. Porém, são também os primeiros a candidatar-se aos cargos que são, em sua maioria, dos corruptos, dos ladrões, dos incompetentes. A parte, é claro, o fato de responderem na justiça por inúmeras fraudes e crimes – de calotes à assédio moral e sexual. São os auto-proclamados arautos da justiça, paladinos da moral e dos bons costumes; carregando seus archotes iluminam o caminho para o povo indefeso e desiludido, entregue nas mãos dos comunas. Esqueceram de avisar aos policiais, que ontem prenderam estes arautos, com os archotes e tacapes com os quais agrediram os secundaristas. Os mesmos secundaristas que mataram suas esperanças, agindo politicamente do jeito que eles tanto odeiam: com protestos e manifestações.

Os fascistas odeiam manifestações que defendam direitos coletivos e combatem regalias individualistas: elas param o comércio, trancam as ruas, param as escolas e hospitais. Pois se os caixas dos bancos não funcionam, como hão de comprar suas coxinhas? Não, as manifestações devem ser pacíficas (conquanto ninguém manifeste ideias contrárias), aos domingos (pra ninguém faltar ao trabalho), e durar por no máximo duas horas (pra ninguém perder o futebol das dezesseis). E como não haveriam de odiar as ocupações, se elas se assumem como políticas? Com objetivos políticos, com consciência política, negociando com o poder constituído – hoje a desserviço da população (tal qual estes reacionários).

Os fascistas odeiam essa juventude rebelde que ocupa o que é dela por direito, a escola, pelo simples fato de lutarem por seus direitos, por não se calarem diante dos gritos de ódio e morte, quanto mais se são fortes e falam o que não deviam, pensam o que não deviam, agem como os fascistas não queriam. Eles nem tentam esconder sua natureza nefasta e podre: são tal e qual Dorian Gray, puros por fora, mas podres em seu coração e alma. Eles abominam os jovens; e em seu medo tentam, em vão, amedrontar os jovens. Porque não podem dialogar com os jovens, já que não conhecem palavras, só os grilhões e as sombras (que com seus archotes, fazem brilhar na caverna), tentam destruir os jovens. Esses mesmos fascistas que acusam os jovens secundaristas de serem imaturos, manipulados, mas mesmo assim querem encarcerá-los, dizem que são jovens demais para cobrar por seus direitos – mas para lotar as cadeias já são maduros o suficiente. Os mesmos fascistas capitaneados na surdina por governantes como Richa e Temer, que usam da tal “legalidade” para deslegitimar o movimento de ocupação de escolas, são os primeiros a agir como criminosos assediadores de jovens adolescentes, são os mesmos a rasgar toda uma legislação protetiva dos jovens – a mesma legislação que invocam para criminalizá-los. São incapazes de admitir que o jovem também é gente, também pensa como gente, também fala como gente, e, como qualquer gente quer agir, quer conquistar espaços e, sim, quer fazer política também. Talvez porque, no fundo, estes fascistas não sejam gente decente.

Os fascistas clamam por vingança contra os jovens imaturos e incapazes. Na irracionalidade de seu comportamento animal, querem criminalizar, agora, estes jovens secundaristas, que dão seu sangue e seu futuro pelo futuro da nação. Querem vê-los na cadeia: querem abaixar a maioridade penal para que estes jovens pobres da periferia, que tumultuam e incomodam a comunidade com seus desejos insanos e ingênuos de um Brasil melhor, não mais pertubem a ordem e o progresso da pátria. Falam do jovem que morreu, morte essa que seria ignorada como tantas outras que ocorrem diariamente nas escolas e nas periferias, como se a ocupação de uma escola fosse a culpada pelo massacre da população jovem brasileira; esquecem dos outros 3700 jovens adolescentes (entre 16 e 17 anos) que morrem todos os anos no Brasil – desses nem governador nem presidente fala, porque falar deles é admitir sua incompetência e a indiferença com as quais sempre olharam para a periferia, para as escolas, para os jovens. E sempre quando falam assim, esquecem das medidas que mandam os milhares de jovens para as cadeias e centros de atendimento socioeducativos.

Não compactuamos com os fascistas. Nem com suas táticas sujas de mentiras e embustes; nem com suas práticas predatórias de assédio moral e sexual a adolescentes; nem com a criminalização da política, nem com a criminalização da juventude. Muito menos com seus anseios de violência, seus notórios desejos de matar e destruir a tudo o que lhes é contrário. Ao criminalizarem a política estão criminalizando a democracia, estão dando vazão a um espírito animalesco que resolve tudo na brutalidade. Pais estão sendo seduzidos pelas artimanhas fascistas, tal qual a Alemanha fora seduzida pelos nazistas; ensinam, estes pais, uma importante lição negativa aos seus filhos: a de que os problemas devem ser resolvidos na agressão física, verbal e moral. Evocam liberdades tão abstratas para defender suas barbáries; seus fundamentos são tão contraditórios, que bastaria que se dispusessem a pensar para voltarem a realidade – mas preferem nadar em um mar de coxinhas, os alienados.

Só podemos conclamar depois da barbárie de ontem: MORTE AO FASCISMO. E que os fascistas despertem de seu sonho enquanto é tempo, e percebam as contradições de suas práticas. As pragas que rogam hoje hão de rebelar-se, e lhes cobrar com juros as maldades que defendem e ajudam a realizar.

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