Sobre as medidas anunciadas pelo governo Dilma

17 set
levy-664-665No final de agosto, o governo Dilma enviou ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para 2016 prevendo R$ 1,349 trilhão (46,5% de todos os gastos) para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Porém, ainda assim as agências de risco e os analistas econômicos dos grandes meios de comunicação ficaram escandalizados com o “déficit primário” de R$ 30,5 bilhões, que omite os gastos com a dívida pública, para jogar os holofotes sobre os gastos sociais, como se fossem eles os responsáveis pelo rombo no orçamento. Para responder a esta situação, o Governo Dilma anunciou esta semana um “pacote” de medidas que aprofunda a recessão com o objetivo de reconquistar a confiança do mercado.

 
A equipe econômica liderada pelo ministro Joaquim Levy anunciou R$ 26 bilhões de cortes em despesas e investimentos em 2016, entre eles o adiamento do aumento do funcionalismo público, o congelamento de novos concursos públicos e a contenção de gastos com políticas sociais. Além disso, o governo anunciou a intenção de recriar um imposto sobre as movimentações financeiras (semelhante à CPMF) para, nas palavras do Ministro da Fazenda, “cobrir o déficit na Previdência”. Além disso, o governo cogita novas alterações nas regras das aposentadorias. 
 
Não por acaso, todas essas medidas foram anunciadas logo depois que a consultoria de mercado Standard & Poor’s “rebaixou” a nota do Brasil no ranking de países seguros para os especuladores internacionais. Ou seja, o pacote de Dilma e Levy representa uma sinalização ao mercado de que a economia brasileira pode, com a ajuda dos mecanismos de administração macroeconômica utilizadas pelo governo, seguir assegurando os lucros astronômicos auferidos pelo capital financeiro internacional nas últimas décadas.
 
O Partido Socialismo e Liberdade tem denunciado o caráter regressivo das medidas utilizadas pelo Governo Dilma para enfrentar os efeitos da crise econômica. A retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, o corte de investimentos, a retomada das privatizações e o aumento da taxa de juros que faz da dívida pública brasileira a mais cara do planeta, não são medidas capazes de debelar a crise econômica e cobram um preço alto do povo brasileiro.
 
Por isso, repudiamos veementemente o “pacote” anunciado pelo Governo Dilma. As medidas contidas neste “pacote”, além de ineficazes para mitigar os efeitos da crise sobre os trabalhadores, aprofunda um modelo econômico herdado dos governos neoliberais do PSDB e intocado pelos governos petistas, drenando recursos públicos e beneficiando uma ínfima minoria.
 
Seguiremos lutando para uma saída à esquerda para a crise, taxando as grandes fortunas e os lucros, amenizando os impostos sobre o consumo das famílias, combatendo o rentismo, auditando a dívida pública e incentivando as iniciativas produtivas, fortalecendo os microempreendedores, a reforma agrária, a agricultura familiar, alocando recursos advindos da imediata redução da taxa básica de juros e realizando uma profunda reforma urbana que priorize o direito à cidade, à mobilidade e à moradia. Estamos contra o pacote de Dilma e lutaremos para derrotá-lo. O povo não pode pagar a conta da crise.
 
 
Deputado Chico Alencar (PSOL/RJ)
Deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ)
Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL/PA)
Deputado Ivan Valente (PSOL/SP)
Senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP)
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2 Respostas to “Sobre as medidas anunciadas pelo governo Dilma”

  1. Jaminus Quedaros de Aquino 17/09/2015 às 15:04 #

    É lamentável ao ponto em que a presidenta Dilma deixou que chegasse a economia do país, numa escalada abrupta pelo poder, em seu approach pela manutenção do mando, destruiu as esperanças, daqueles que achavam estarem vivendo o milagre brasileiro, onde, os sempre desafortunados podiam até, adquirir seu sua moto, carro e demais utensílios domésticos, além do tão sonhado “teto”, promovido pelo “minha casa minha dívida”, agora vem a tona a onda de desmandos noticiados diariamente na operação lava jato, estarrecendo os cidadãos menos abastados e por consequência, também menos informados e despolitizados, crendo que mantendo a presidenta Dilma, e sua vorás equipe no poder, conseguiriam realizar seus humildes sonhos do tipo, sobreviver com dignidade, e até isto, lhes foi tolhido, provocando um lamento geral, seguido da descredibilidade na classe política, ocasionando o típico fenômeno de massa, mais destruidor, o desinteresse pelas causas governamentais.

  2. HAROLDO CAVALCANTE FERREIRA 17/09/2015 às 22:21 #

    O PSOL DEVE CRITICAR MAIS FORTEMENTE ESTE GOVERNO DILMA FASCISTA E PEDIR A SUA SAÍDA POIS ELA DILMA ESTÁ ACABANDO COM O POVO BRASILEIRO COM DESEMPREGO A VOLTA VIOLENTA DA INFLAÇÃO O PSOL TEM QUE PARTICIPAR DESTE MOMENTO QUE É ÚNICO A DERRUBADA DO LULA DA QUADRILHA DO PT E DA FASCISTA DILMA.SENÃO VAI SER ENVERGONHADO NA PRÓXIMA ELEIÇÃO..

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